Primeiros Socorros Psicológicos: Intervenção em crise para eventos de violência urbana

Pedro Goularte Lara, Gustavo Ramos Silva, Luiza Lewgoy Servino, Vítor Corrêa Frimm, Christian Haag Kristensen

Resumo


Este projeto atende à demanda de estudar alternativas de resposta ao fenômeno prevalente e importante da violência urbana. A partir de estratégias em diferentes níveis – capacitação e intervenção em crise – busca-se esclarecer como melhor auxiliar vítimas de eventos traumáticos. No Rio Grande do Sul, o período de 2014 a 2017 foi marcado por um aumento histórico nos índices de violência, o que colocou a capital Porto Alegre no Ranking das 50 cidades mais violentas do mundo. Nesse período, 22% dos porto-alegrenses já perderam um familiar por homicídio e a letalidade da polícia cresceu 45% [1]. Indivíduos em zonas com maior e recorrente exposição à violência urbana estão em risco elevado para o desenvolvimento de psicopatologias incapacitantes. Portanto, é crucial que existam estratégias de intervenção que possam prevenir o desenvolvimento desses transtornos, auxiliando indivíduos nos primeiros momentos após um trauma. Os Primeiros Socorros Psicológicos (PSP) podem ser aplicados por qualquer profissional ou voluntário que tenha sido treinado. Foram desenvolvidos como uma intervenção de apoio psicossocial para prover necessidades básicas e reduzir o estresse inicial causado por eventos traumáticos, de forma a facilitar o processo de recuperação. Assim, eles têm como objetivos principais conectar as pessoas aumentando seu suporte social, promover bem-estar físico e emocional, acalmar e orientar de maneira empática e não-intrusiva, oferecer informações importantes que auxiliem a lidar com os aspectos psicológicos do evento traumático e apoiar respostas adaptativas [2][3]. Trata-se de uma intervenção que se enquadra nas necessidades de contextos com muitas vítimas e poucos recursos de atendimentos disponíveis – como ocorre em muitos contextos brasileiros. Portanto, o presente projeto busca estudar a eficácia de uma intervenção em crise cientificamente informada, os PSP, na redução de sintomas pós-traumáticos e de depressão e no aumento da percepção de suporte social. Além disso, profissionais de saúde serão treinados para prover os PSP, e será verificada a eficácia deste treinamento em aumentar seus conhecimentos sobre trauma e intervenção em crise e a sua confiança para realizar PSP. O treinamento ocorrerá periodicamente com os representantes de instituições de saúde. Cada treinamento contará com 10 a 20 profissionais, com duração de 4 horas e incluindo explanação teórica e prática simulada. Além disso, serão coletados dados em intervenções de PSP realizadas com sobreviventes de eventos de violência urbana.  Após o momento de intervenção inicial, há o contato por e-mail em 2 ou 3 dias como parte dos PSP, quando será proposta a participação voluntária na pesquisa. Serão aplicados os instrumentos PCL-5, CERQ e ESSS. Será disponibilizado espaço para que o participante comente sobre a influência específica de cada técnica na sua recuperação. Posteriormente, será feito contato por e-mail com os mesmos indivíduos para a realização de follow-ups após 1 e 3 meses. Espera-se que indivíduos que sejam treinados em PSP desempenhem significativamente melhor nos grupos de questões avaliando conhecimentos de trauma e confiança para realizar intervenção em crise. Quanto aos indivíduos atendidos em PSP, espera-se que apresentem menores chances de desenvolver sintomas e transtornos pós-traumáticos.


Palavras-chave


intervenção em crise, violência urbana, eventos traumáticos

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DOI: http://dx.doi.org/10.15536/reducarmais.3.2019.9-16.1607

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