Construindo pontes, não barreiras: a Matemática e seus praticantes na visão pública

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15536/reducarmais.10.2026.4410

Palavras-chave:

Imagem pública da matemática, Imagem pública de quem pratica a matemática, Estereótipos

Resumo

O artigo realiza uma análise crítica da imagem pública da matemática, incluindo as representações dos professores da disciplina, por meio de uma abordagem qualitativa de pesquisa. Destaca a falta de representação humana nas imagens convencionais da matemática e questiona se essas representações capturam verdadeiramente a sua essência. A pesquisa explora as complexidades da imagem pública da matemática, destacando estereótipos e imagens negativas originadas nas experiências educacionais iniciais dos estudantes. As considerações finais ressaltam a necessidade de reexaminar a narrativa envolvendo a matemática, buscando desafiar estigmas e construir pontes em vez de barreiras. Salienta a importância de uma abordagem inclusiva e humanizada da matemática, reconhecendo-a como disciplina acessível e essencial para compreender o mundo. Busca-se, com o artigo, inspirar novas pesquisas, visando transformar a imagem da matemática em um espaço dinâmico e livre de traumas, promovendo uma disciplina acolhedora onde diferentes corpos possam encontrar lugar.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Eduardo dos Santos de Oliveira Braga, Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ

Licenciado em Matemática pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), especialista em Ensino de Matemática (UFRJ), Novas Tecnologias para o Ensino de Matemática (UFF) e Práticas Pedagógicas na Educação Profissional Integrada à Educação de Jovens e Adultos (IFRN). Mestre em Matemática pela UFRJ e Doutor em Ensino de Ciências pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), com tese agraciada com Menção Honrosa no Prêmio CAPES de Tese 2023. Em 2025, recebeu a Medalha Maria Laura Mouzinho Leite Lopes, concedida pela Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM). Professor de Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências (PROPEC/IFRJ). Atua na formação de professores e desenvolve pesquisas nas áreas de Ensino de Matemática, Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas e Formação de Professores, com ênfase em perspectivas críticas, decoloniais, interseccionais e emancipatórias. É vice-líder do Grupo de Pesquisa CAFE – Ciência, Aprendizagem, Formação e Ensino (IFRJ), pesquisador do Laboratório Acadêmico de Produção de Vídeo Estudantil (UFPEL) e membro do Grupo de Trabalho 16 – Educação Matemática com Pessoas Jovens, Adultas e Idosas da SBEM.

Vinícius Munhoz Fraga, Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ

Licenciado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), especialista em Novas Tecnologias no Ensino da Matemática pela Universidade Federal Fluminense (UFF/UAB), mestre e doutor em Ensino de Ciências pelo IFRJ. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências (PROPEC/IFRJ) e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Tecnologia, Educação e Cultura (GPTEC). Atua como professor da carreira de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) no IFRJ – Campus Duque de Caxias, ministrando disciplinas de Física para os níveis médio técnico e superior, além da disciplina de Tecnologias Digitais no Ensino de Ciências na graduação. Atualmente exerce a função de Coordenador de Pesquisa e Inovação do IFRJ – Campus Duque de Caxias.

Ana Lúcia Rodrigues Gama Russo, Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ

Graduada em Engenharia Química pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e licenciada em Química pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques. Possui especialização em Engenharia Sanitária e Ambiental pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/FIOCRUZ) e especialização em Ensino de Ciências pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). É mestre e doutora em Ensino de Ciências pelo IFRJ. Professora da carreira de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) do IFRJ – Campus Duque de Caxias, atuando nas áreas de Química e Ensino de Química. É docente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências (PROPEC/IFRJ) e pesquisadora do Grupo de Pesquisa CAFE – Ciência, Arte, Formação e Ensino.

Referências

ABREU, R. V. A.; BARBOSA, G. L. S.; DUARTE, F. F.; SUART, R. C. Favorecendo a formação reflexiva de professores por meio do uso de diários reflexivos em um processo de reflexão orientada, Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, Ponta Grossa, v. 13, n. 1, p. 190-215, jan./abr. 2020.

ADAMS, D. Hichhiker’s guide to de galaxy. New York: Del Books/Random House, 2005.

ARAÚJO, J. L.; BORBA, M. C. Construindo Pesquisas Coletivamente em Educação Matemática. In: BORBA, M. C.; ARAÚJO, J. L. (Org.). Pesquisa Qualitativa em Educação Matemática. 5. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2013. p. 31–51.

BENTO, A. S.; SOARES, A. C.; PASTORIZA, B. dos S.; SANGIOGO, F. A. Diversidade em pauta em uma intervenção didática na formação de professores de Ciências e Matemática. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 1–23, 2023. DOI: 10.26843/rencima.v14n1a19. Disponível em: https://revistapos.cruzeirodosul.edu.br/rencima/article/view/3936. Acesso em: 8 dez. 2025.

BICUDO, M. A. V. Um ensaio sobre concepções a sustentarem sua prática pedagógica e produção de conhecimento (da Educação Matemática). In: FLORES, C. R.; CASSIANI, S. (Org.). Tendências contemporâneas nas pesquisas em Educação Matemática e Científica: sobre linguagens e práticas culturais. Campinas: Mercado de Letras, 2013. p. 91-104.

BORBA, M. C. A pesquisa qualitativa em Educação Matemática. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED, 27, 2004. Anais [...]. Caxambu, MG: Anped, p. 21-24, 2004.

BORBA, M. C.; SKOVSMOSE, O. A ideologia da certeza em Educação Matemática. In: SKOVSMOSE, O. Educação Matemática Crítica: a questão da democracia. Campinas: Papirus editora, 2001, p. 127-148.

BORBA, M. C.; SILVA, R. R. S.; GADANIDIS, G. Fases das tecnologias digitais em Educação Matemática. 2. ed.; 1 reimp. - Belo Horizonte: Autêntica, 2018.

BORBA, M.; SKOVSMOSE, O. A ideologia da certeza em Educação Matemática. In: SKOVSMOSE, O. (Org.). Educação Matemática Crítica. Campinas: Editora Papirus, 2001.

BRAGA, E. S. O. SOUZA, F. N.; BARREIRA, J. P.; FRAGA, V. M.; PEREIRA, M. V.; RÔÇAS, G. Caminhos da Matemática na EJA. 1° ed. Rio de Janeiro: edição do autor. 2022. Disponível em: <https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/701467>. Acesso em 03 dez. 2025.

FONSECA, M. C. F. R. Educação Matemática de Jovens e Adultos: especificidades, desafios e contribuições. 3 ed. 2 reimp. – Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2020.

FRANK, M. L. What Myths about mathematics are held and conveyed by teachers? Arithmetic Teacher, Washington, v. 37, n. 5, p. 10-12, jan. 1990.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 60. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2019.

FURINGHETTI, F. Images of Mathematics Outside the Community of Mathematicians: Evidence and Explanations. For the Learning of Mathematics, Fredericton (Canadá), v.12, n.2, p.33-38, maio/ago. 1993.

GADANIDIS, G. Why can't I be a mathematician? For the Learning of Mathematics, Fredericton (Canadá), v. 32, n. 2, p. 20-26, maio/ago. 2012.

GADANIDIS, G.; SCUCUGLIA, R. Windows into elementary mathematics: alternate mathematics images of mathematics and mathematicians, Acta Scientiae, Canoas, v. 12, n. 1, p. 24-42, jan./jun. 2010.

GREGORUTTI, G. S. Performance matemática digital e a imagem pública da Matemática: viagem poética na formação inicial de professores. 2016. 63 f. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” , Rio Claro, 2016.

LIM, C. S. Public Images of Mathematics. 1999. 365 f. Tese (Doutorado em Educação). University of Exeter: United Kingdom, 1999.

LIM, C. S.; ERNEST, P. Public Images of Mathematics. Philosophy of Mathematics Education, v.11, 1999.

LUGONES, M. Rumo a um Feminismo Decolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 22, n. 3, p. 935-952, set./dez. 2014.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. (Orgs.) El giro decolonial. Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Universidad Javeriana-Instituto Pensar, Universidad Central-IESCO, Siglo del Hombre Editores, 2007.

MATOS, D.; GIRALDO, V.; QUINTANEIRO, W. Por Matemática(s) Decoloniais: vozes que vêm da escola. Bolema: Boletim de Educação Matemática, v. 35, p. 877-902, 2021.

MENEGHETTI, F. K. O que é um ensaio teórico? Revista de Administração Contemporânea, v. 15, n. 2, p. 320–332, abr. 2011.

MINAYO, M. C. S. O desafio da pesquisa social. In: MINAYO, M. C. S. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2009. p. 9-30.

NASCIMENTO, L. A. L.; ANJOS, M. B.; BRAGA, E. S. O.; RÔÇAS, G. Análise de livre interpretação: uma metodologia multidimensional para análise dos dados qualitativos em educação científica. Ciência & Educação, Bauru, v. 32, e26002A, 2026.

PICKER, S.; BERRY, J. Investigating Pupils Images of Mathematicians. Educational Studies in Mathematics, Dordrecht, v. 43, n. 1, p. 65-94, jul. 2000.

PICKER, S.; BERRY, J. Your Students’ Images of Mathematicians and Mathematics. Mathematics Teaching in the Middle School, Washington, v.7, n.4, p.202-208, dez. 2001.

QUIJANO, A. Colonialidaddel poder y clasificación social. In: S. Castro-Gómez & R. Grosfoguel (Orgs.). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: siglo del Hombre, 2007.

REENSA, R. J. The Image of a Mathematician. Philosophy of Mathematics Education, Exeter, v. 19, n 1, dez. 2006.

ROCK, D.; SHAW, J.M. Exploring Children’s Thinking about Mathematicians and Their Work. Teaching Children Mathematics, Washington, v. 6, n. 9, p. 550-555, maio. 2000.

SCUCUGLIA, R. R. S. On the nature of students’ digital mathematical performance. 2012. Tese (Doutorado em Educação) – University of Western Ontário, London, 2012.

SCUCUGLIA, R. R. S. Narrativas Multimodais: a Imagem dos Matemáticos em Performances Matemáticas Digitais. Bolema. Boletim de Educação Matemática (in press), v. 28, n. 49, p. 950–973, 2014.

SCUCUGLIA, R. R. S.; BORBA, M. C.; GADANIDIS, G. Cedo ou tarde Matemática: uma performance matemática digital criada por estudantes do ensino fundamental. REMATEC: Revista de Matemática, Ensino e Cultura, Natal, v. 7, n. 11, p. 39-64, jul./dez. 2012.

SCUCUGLIA, R. R. S.; GREGORUTTI, G. S. Explorando o Teorema das Quatro Cores em Performances Matemáticas Digitais. BoEM: Boletim Online de Educação Matemática, v. 3, n. 5, p. 2–17, 2015.

SOUZA, M. C. R. F.; FONSECA, M. C. F. R. Relações de gênero, Educação Matemática e discurso: enunciados sobre mulheres, homens e matemática. Coleção Tendências em Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.

WALSH, C. Introducion - (Re) pensamiento crítico y (de) colonialidad. In: WALSH, C. Pensamiento crítico y matriz (de)colonial. Reflexiones latinoamericanas. Quito: Ediciones Abya-yala, p. 13-35, 2005.

Downloads

Publicado

2026-06-02

Como Citar

Braga, E. dos S. de O., Fraga, V. M. ., & Russo, A. L. R. G. . (2026). Construindo pontes, não barreiras: a Matemática e seus praticantes na visão pública. Revista Educar Mais, 10, 1–15. https://doi.org/10.15536/reducarmais.10.2026.4410

Edição

Seção

Artigos