Vieses manhosos de uma academia que acha não os ter

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DOI:

https://doi.org/10.15536/reducarmais.4.2020.2038

Palavras-chave:

Ensaio Crítico, Formação Docente, Escola.

Resumo

Talvez por conta da pandemia de 2020, as pessoas estejam mais contritas e sensíveis. Temos visto algumas reiterações da pedagogia do amor, em geral citando Maturana, que tem sido o principal patrono da ideia. Nada mais necessário, também verdadeiro. No entanto, fica o gosto amargo de hipocrisia institucional, ao vermos que nosso sistema de ensino é tudo, menos pedagogia do amor. Pode soar a pieguice sonsa. Vejo alguns educadores encantados com a ideia, pelos quais tenho o maior respeito, porque sei de sua integridade e competência acadêmica, mas fico pensando até que ponto é viável curtir esta ideia da pedagogia do amor, não só porque é estranha ao contexto eurocêntrico cartesiano, mas porque soa a cortina de fumaça para encobrir uma política educacional incrivelmente perversa. Aprendizagem quase não existe, sobretudo no Ensino Médio (EM), não levamos quase nada para a vida da escola e a série histórica do Ideb desde 1995 escancara um sistema inepto, para não dizer inútil, sem perspectiva de mudança. A miséria educacional atravessa os governos, independentemente da ideologia, porque o instrucionismo é a postura padrão, hoje globalizada, também acolhida oficialmente no PISA: o sistema é tipicamente de “ensino”, instrução, baseada na aula copiada para ser copiada, conteudista, tal qual aprecia a escola privada.

 

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Biografia do Autor

  • Pedro Demo, Universidade de Brasília

    Possui graduação em Filosofia - Bom Jesus (1963) e doutorado em Sociologia - Universität Des Saarlandes/Alemanha (1971). Professor titular aposentado da Universidade de Brasília, Departamento de Sociologia. Professor Emérito. Fez pós-doutorado na UCLA/Los Angeles (1999-2000). Tem experiência na área de Política Social, com ênfase em Sociologia da Educação e Pobreza Política. Trabalha com Metodologia Científica, no contexto da Teoria Crítica e Pesquisa Qualitativa. Pesquisa principalmente a questão da aprendizagem nas escolas públicas, por conta dos desafios da cidadania popular. Publicou mais de 100  livros.

  • Renan Antônio da Silva, Centro Universitário do Sul de Minas

    Pesquisador Titular no Departamento de Pesquisa do Centro Universitário do Sul de Minas (Unis). Professor e Pesquisador Visitante no Programa de Pós - Graduação em Educação pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Pesquisador Colaborador Júnior junto ao Programa de Pós Graduação em Direitos Humanos e Cidadania da Universidade de Brasília - UnB. Pós - Doutor pelos seguintes Programas: Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),  Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/ Marília), História pela University of Warwick (Reino Unido),  Educação pela Universidad de Sevilla (Espanha), Ciências Sociais e do Comportamento pela Universidade da Coruña (Espanha),  Educação pela Universidade Estadual Do Sudoeste Da Bahia (UESB), Ensino pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), História pela Universidade de Évora (Portugal) e em Políticas Públicas pela Universidade de Mogi das Cruzes. Pós - Doutorando em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade de Brasília (UnB) e em Ensino pela UNIVATES. Doutor  em Educação Escolar (2018) pela UNESP/ Araraquara. Realizou o Estágio Doutoral com bolsa CAPES/PDSE, junto ao Centro em Investigação Social (CIS) pelo Instituto Universitário de Lisboa - ISCTE - Portugal (2015-2016). Mestre em Desenvolvimento Regional e Políticas Públicas (2014). Licenciado em Ciências Sociais (2011). Editor Colaborador nos Periódicos Temas em Educação e Saúde , DOXA: REVISTA BRASILEIRA DE PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO (UNESP) e  Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação (RIAEE). Participa, como pesquisador das Cátedras Unesco -  José Saramago, Universidade do Vigo (Espanha), Research and Social Responsibility in Higher Education, University of Victoria (Canadá) e  Intangible and Tradicional Know-how: Linking Heritage (Universidade de Évora) e da Cátedra  Ignacy Sachs (PUC/SP).Membro Honorário Dell Accademia di Scienze Umane -  Pontificia Università Urbaniana (Itália). Membro Honorário na National Science Teaching Association (EUA), na NATIONAL ACADEMY OF EDUCATIONAL SCIENCES OF UKRAINEU (Ucrânia) e Membro Honorário da American Anthropological Association (fundada por Franz Boas em 1902). Foi Docente Permanente no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas (PPG-PP) da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) com bolsa PNPD/CAPES. Líder no Grupo de Pesquisa em Ensino Profissional e Formação Docente e Discente - GPEPFDD (UNIS/MG).Líder no Grupo de Pesquisa em Educação, Cultura, Memória e Arte (GPECUMA - UNESP). Pesquisador Convidado no Centre for Citizenship, Conflict, Identity and Diversity (University of Huddersfield).  Pesquisador no  Grupo de Investigación Escritoras y Escrituras - Universidad de Sevilla. Pesquisador Associado em dois projetos na  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Foi Consultor no United Nations Educational, Scientific, and Cultural Organization (UNESCO).  Foi Professor - Visitante na Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS). Publicou mais de 90  artigos científicos, capítulos de livros, 08 livros e organizou outras 8 obras. Escreve e pesquisa ao lado dos renomados professores Dra. Maria Cecília de Souza Minayo e Dr. Pedro Demo. Recebeu diversos prêmios e honrarias (Títulos de Cidadania). Membro editorial em 15 periódicos. Membro do Comitê Científico Nacional da Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação (Qualis A2). Avaliador Ad Hoc em 36 revistas científicas, destacando os  seguintes  periódicos:  Educação e Pesquisa USP, Revista Ciência & Saúde Coletiva  Fiocruz e Educational Philosophy and Theory.

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Publicado

2020-10-08

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Como Citar

Vieses manhosos de uma academia que acha não os ter. (2020). Revista Educar Mais, 4(3), 659-685. https://doi.org/10.15536/reducarmais.4.2020.2038